Nossa, parece que passou tão rápido desde o momento em que toda a esperança se foi, em que tudo aquilo que havia se construído havia desmoronado, havia sido destruído e até mesmo estraçalhado ...
Um momento único e pacato, e ao mesmo tempo desgraçado e operativo ao demônio, um ato de bondade misturado a um ato considerado como uns dos mais terríveis que possa ter acontecido. Como isso é possível? É muito estranho como os acontecimentos a nossa volta afetam de uma forma delicada e devastadora, tal como que ninguém entenda, e fique com aquela expressão estupenda de desespero e desconsolo, mas ao mesmo tempo fica apático, de forma tão patética que ele próprio fica com ódio de si mesmo, por saber que aquilo que o afeta é um lixo imundo e deslocado na terra, uma história desgraçada, um passado podre, uma reflexão nada reflexiva, uma história sem moral, uma pessoa sem moral. É difícil saber que tem que encarar o passado todos os dias da sua vida, no sentido literário, tem que encarar mesmo, ver, um passado não tão distante, que ainda afeta, que parece que ainda persegue mesmo que sem querer, mesmo que sem intenção, mesmo que não saiba como devastou aquele coração. As pessoas às vezes devem imaginar que, por baixo de uma pessoa fria, pode ser que exista um coração despedaçado, um coração pisoteado, e ainda sangrando, sangrando sem perceber, sem querer, sem merecer. Tudo o que acontece nessa vida passa, parece que nada é feito para durar, cada dia que passa tenho essa certeza. Fico triste por saber que coisas que aconteceram no passado hoje me impedem de tentar algo novo, por medo e desconfiança, não da pessoa, mas sim da situação em si, medo do que possa acontecer, porque parece que a vida já ensinou que é isso que acontece, ela já o surrou suficientemente para ele desistir do amor, mesmo que por enquanto, que seja passageiro, mas ele desistiu. A raiva e o ódio por tudo o consomem, o único amor que ele consegue sentir é por Deus, que ele nunca vai perder, e pela mãe, que é essencial, fora isso, parece que tudo foi destruído, seus sentimentos foram congelados, parece que não consegue sentir mais nada, nem por quem sentiu antes, mesmo que ainda sinta algo, ele não consegue capitar, e nem aceitar, pois ele sabe que se existe algo ainda, está lá no fundo, e se não consegue mais achar o que está ali em cima, ainda flutuando, como vai conseguir achar o que está no fundo? Como uma pessoa consegue mostrar que é outra da água para o vinho? Como um sentimento tão lindo e magnífico que é o amor consegue se transformar em algo tão tosco e escroto que é o ódio? Parece que são muitas perguntas para poucas respostas, respostas que fogem com o vento, que se consomem no ar, naufragam no mar e somem, desaparecem, como o ar que respiramos, e consumimos, e depois jogamos pra fora, para longe de nós, em um caminho tão solitário e obscuro que nenhum humano seria capaz de escapar ...
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